quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Desabafo". Texto de Bernadete Ribeiro



Há poucos meses das eleições, penso na hipocrisia como as pessoas se atiram e se atrevem em busca do poder.
Num país já tão assoberbado de feridas e cicatrizes, em função da epidemia da corrupção, fica quase impossível imaginarmos quem poderá nos representar, sem nos causar mais prejuízos não só materiais, porém, sobretudo, emocionais, que, sem dúvida, podem tornar-se um verdadeiro calvário.
Penso no que vejo no Rio: nas obras por muitos bairros; outros, esquecidos, sem rede de saneamento básico; nas pessoas habitando lugares que, sequer, servem de abrigo para animais; nas favelas que crescem dentro de bairros até de classe média alta; na quantidade de guardas municipais como antes nunca se viu, e são tantos que parecem perdidos, enlouquecidos, atrás das multas, única ocupação que lhes compete; nas UPAs sem médicos suficientes, para atenderem aos mais carentes; nos enfermos largados nos corredores hospitalares; nos hospitais antigos depredados; no grito desesperado da médica que dizia sentir-se sozinha, para atender a tanta gente necessitada; na ausência de hospitais que atendam, especificamente, a tal falada "melhor idade"; nos prédios históricos devastados pelo tempo; nas crianças e moradores de ruas espalhados, principalmente, pelo Centro do Rio; nas ações imediatistas que literalmente "cobrem o sol com a peneira"; no crack que tem devorado almas ou fazem das pessoas verdadeiros "zumbis ambulantes"; na inauguração de escolas e creches e as que estão em pé, completamente esquecidas; nas mentiras sobre a aprovação automática; nos últimos elogios feitos por Eduardo Paes à secretária Claudia Costin, consequentemente, à educação do Rio, mas nenhum deles coloca seus filhos ou netos para estudar na classificada melhor escola deste Município.
Penso nas promessas que ouvimos nas eleições passadas; na rixa entre o criador e sua criatura, respectivamente, Cesar Maia e Eduardo Paes; nas críticas e nas alianças oportunistas de partidos opostos; nas UPPs e na imagem dos bandidos fugindo, sabe-se lá para onde; na morte de policiais e no abuso de autoridade de muitos deles; no dinheiro público gasto, de forma exagerada, e nos péssimos salários que os servidores recebem.
Penso nos sofismas e na falta de pudor dos políticos; em como milhares de pessoas têm sido massacradas, por não terem acesso ao básico de uma educação, ao básico da cidadania; na pseudo-inclusão de deficientes; na completa ausência de políticas públicas que norteiem o processo de interação e sociabilização desses indivíduos; na falsa paz de nossa Cidade, alardeada aos quatro ventos por muitos; em como as pessoas se vendem por cargos ou salários.
Agora, penso em mim como ser humano, profissional e professora, que reinventei no Município, dentro de minhas salas de aula, a forma mais eficaz de ensinar língua portuguesa a alunos, que mal sabiam assinar o nome, quando chegavam ao antigo ginásio.
Penso nos projetos e oficinas de Jornal Escolar e de como era prazeroso estar ali , ensinando e aprendendo, até março do ano de 2011, quando fui ameaçada por uma avó, que acreditou na "mentira" de seu neto e jurou que mandaria me matar.
Sim... esse foi o preço que paguei por ter dedicado anos a fio a uma escola municipal, situada numa área de conflito, mas que, até aquele momento, eu tinha muita alegria de trabalhar. Penso em tudo o que passei, na omissão da direção e também da CRE a que pertenço.
Hoje minha saúde não me permite mais estar em sala de aula. Na época fiquei muito doente e ainda me encontro em tratamento.
Fora do ofício de ensinar, vejo minha vida profissional como num filme, correndo de um lado para outro, chegando a lecionar em quatro escolas, para poder viver de forma digna e feliz.
Por tudo isso, tenho pensado na ganância, na hipocrisia humana que, de uma forma ou de outra, destroem a vida de pessoas, que ainda acreditam em palavras, em promessas de políticos oportunistas, sem caráter, capazes até de beijar as mãos e dar abraços naqueles que, um pouco mais adiante, serão a carniça dos abutres inescrupulosos, que estarão no poder.
Finalmente, penso na fórmula mágica que poderá - ainda- ser descoberta, para que a sociedade seja mais justa, solidária e que o bem-comum seja exclusividade de todos e não somente para aqueles que brincam com o poder.
Professora Bernardete Ribeiro - 06/08/2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Para o Povo:"Pão e Circo". Para a Mídia:"CPMI".

Sou um dos muitos brasileiros, que mesmo acreditando em nosso país, vive descrente quando se trata em possibilidade de decência dos nossos políticos.
As redes sociais se tornaram uma importante arma para o cidadão comum ficar atento e cobrar, daquele que durante a campanha política fez as mais diversas promessas. Um político antes de eleito ou reeleito, assume com seu eleitor os mais diversos compromissos... "Ser um exemplo de honestidade; lutar com unhas e dentes para transformar a vida de todos; não se deixar corromper pelo sistema falido como os outros no passado o fizeram;"... Bom político é aquele que promete mais!
Seria a política uma arte de conversação, negociação e convencimento ou somente arte da enganação?

O assunto do momento é a CPMI do Cachoeira. O ponto mais alto dessa CPMI até agora, foi a convocação de dois governadores Marconi Perilo PSDB-GO e Agnelo Queiroz PT-DF. O motivo que levou dois governadores a CPMI, que vem sendo apelidada como a mais reveladora da nossa confusa história republicana, seria o envolvimento de ambos com um contraventor (empresário?) e que através de uma construtora tem contratos bilionários com o governo federal, entre outros empreendimentos, e com isso lava seu dinheiro!

O único ponto comum, que nossos excelentíssimos deputados e senadores chegaram, foi a venda de uma casa por parte do governador Perilo e a compra de uma outra por parte do governador Agnelo, e por mais constrangedor que seja, as casas não foram nem mesmo construídas pela Delta que deveria ser o foco principal dessa CPMI.

Será essa uma manobra, para que não seja feita uma varredura nas licitações vencidas pela Delta no âmbito federal e no estado do Rio de Janeiro, estado que mais tem recebido investimentos públicos para os eventos internacionais que está e estará sediando?

O que não pode ser esquecido é que tanto Perilo quanto Agnelo, foram convocados para a CPMI, onde passaram mais de 8 horas cada um, respondendo sobre compra e venda de casas, que segundo eles foram feitas de forma legal e declarada.
O episódio das casas é muito pouco perto das viagens do governador do estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho a Paris em companhia de seu amigo e compadre Fernando Cavendish, dono da Delta que segundo nossos nobres deputados e senadores seria uma central de corrupção e desvio do erário nacional.

O que faz nobres deputados e senadores passarem horas ouvindo dois governadores explicarem compra e venda de casas, enquanto blindam um outro governador que além de viajar, beber e fazer festas na cidade luz com secretários e políticos está sempre acompanhado de quem pode ser o verdadeiro 'testa de ferro' do esquema de Cachoeira?
Texto de Luciano Oliveira de Almeida.

sábado, 2 de junho de 2012

"Militontos, os zumbis do Século XXI". Texto de Luciano Oliveira de Almeida

Será cisma minha ou estou sendo monitorado por militantes políticos na internet?
Não é uma cisma minha, é uma realidade!

Milhões de brasileiros estão sendo monitorados, principalmente os que estão cansados dos mandos e desmandos daqueles que deveriam ser nossos representantes.
O direito de opinar nas redes sociais, vem sendo lentamente usurpado por grupos que mais se parecem células terroristas.
Esses militantes, que prefiro chamar de "militontos", se julgam os donos da verdade. Colocam-se acima da realidade, distorcem os fatos à sua conveniência, fazem você se sentir constrangido.
Te tratam como um idiota, sem direito ao raciocínio!
Digo isso de cadeira, pois já fiz parte desse grupo de pessoas alienadas.

Opinião é um direito seu! Você não pode se deixar levar por essa falsa onda do politicamente correto, que de correto não tem nada. Promover o caos também faz parte do jogo político.
Estão nos separando por raça, gênero, ideologias, crenças...
Dividir a maioria, tornando-a minoria é uma tática antiga.
A maioria somos nós, povo brasileiro, que é composto de pessoas com modos e costumes dos mais variados! Sem guerras e sem preconceitos.
Estamos a beira de uma mudança de regime do qual os próprios militontos irão se arrepender.


O que pouco tempo atrás, era considerado algo hediondo, diante da nossa impotência, vem se tornando algo normal. E eu não estou falando da individualidade de cada um, estou falando de toda essa sujeira que fazem diariamente em nossas vidas.
Somos assaltados todos os dias, violados em nossos direitos a todo momento.

A classe política nem se preocupa em disfarçar sua falta de caráter, pois sabem que são blindados por células ativas que são municiadas em seus diretórios!
Você costuma ler os ditos blogs progressistas?
Leia e verá que os comentários são quase sempre os mesmo, como se o texto do autor fosse um estopim para despertar um monte de zumbis famintos por cérebros!

"Os militontos não querem um Brasil de todos, eles querem um Brasil deles".

Eles querem um país onde os fins justificam os meios, um país sem imprensa livre onde a informação pertence a um pequeno grupo. Eles querem um país onde tudo e relativo, onde quem pratica crimes tem um tratamento mais digno do que quem trabalha (basta ver o número de beneficio que os criminosos receberam nos últimos anos).
Até chantagem se tornou constitucional.

Um ditador está nascendo e com ele uma tropa de alienados capaz de tudo para defender seu líder.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dizem que na China político corrupto é condenado a morte. No Brasil, "não vai para o céu".

Meu dia foi complicado, sem internet, pc dando umas travadas...Preocupações diárias, mas duas coisas me irritaram profundamente e sem ter nada a ver uma com a outra, o fim foi o mesmo.
"Fiquei muito tensa, pois odeio ser feita de boba".
Não sou esperta ou especial, mas ser avacalhada e uma das vezes em rede nacional me deu muita gana.

Primeiro motivo:
Assistindo a CPMI, já imaginava que o Demóstenes ficaria calado, mas ouvi-lo dizer que não responderia a perguntas e permaneceria em silêncio durante a sessão, usando a "faculdade prevista na Constituição Federal de permanecer calado", me fez pensar em quantas brechas facilitadoras existem na nossa Carta Magna. Facilitadora para 'eles' que têm grana e poder.

Claro que assim como EU, os nobres Parlamentares também sentiram-se ultrajados e começou o bate boca entre o deputado Silvio Costa (PTB-PE) e o senador Pedro Taques (PDT-MT). Uma falta de respeito não apenas com os que estavam na Comissão. Desrespeito com todo o POVO brasileiro que gostaria de ver seus representantes discursando com coerência e força, mas com educação e palavras adequadas a posição de legisladores.

Até aí, tudo mais ou menos dentro do esperado com os 'nobres' parlamentares que compõem essa CPMI que já sabemos como vai terminar...

Acontece, que o deputado Silvio Costa, no auge da sua irritação, não mostrou sua fé na LEI e não disse ao Demóstenes que ele será punido com rigor e perderá não só seu mandato, perderá sua grana, honra e liberdade. O que todos esperamos.

A ameaça de punição elencada pelo Deputado Federal, essa com certeza nós não veremos acontecer...
"Demóstenes não vai para o Céu".

Parecia brincadeira, coisa de crianças que cresceram beijando mão de religiosos, com medo do inferno... fiquei irritada e envergonhada.

Mas, tenho que deixar registrado que o Demóstenes foi respeitoso até o fim. Eu teria dado uma sonora gargalhada na mesma hora e pedia para sair.

Infelizmente não parou, os desaforos continuaram, aos gritos dizia palavras ofensivas, que umas horas de SPA farão Demóstenes rir e esquecer. Após longos minutos de gritos dos nobres parlamentares, assistidos por dezenas de jornalistas e pessoas comuns como eu, foi encerrada a sessão e Demóstenes Torres pode deixar a sala.

E assim termina mais um episódio da vergonha nacional... e nem estou falando da exclusiva do Ratinho.

Deixo claro mais uma vez que quero ver o meu País passado a limpo. Com as CPIs dando resultados e não pizza. Quero o julgamento do Mensalão e do Mensalinho, da Privataria e dos desvios. Quero as licitações sem fraudes e maracutaias. Quero Educação, Saúde, Trabalho e Renda para TODOS e com dignidade.
Quero tudo isso e muito mais.

Segundo motivo:
Como eu nem sou amiga do Cachoeira...passei o restante do dia irritada...
E a minha vida continua.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Cotas, solução ou segregação?" Texto de Luciano Oliveira de Almeida.

Estamos vivendo uma época complicada onde conceitos se misturam a preconceitos, onde moralismo e liberalismo não se vêem em lados opostos.
Na era do politicamente correto, ter opinião contrária por mais correta que seja para você, te torna alvo de constrangimento, seu conceito se torna preconceito, seu puritanismo se torna machismo e se o assunto envolver religião os adjetivos são muito mais amplos.
No dia 26 de abril, foi julgado na mais alta corte do nosso país e votada por 10 votos a 0 a constitucionalidade das cotas para negros em universidades públicas. Até aí tudo bem, pois dentro de uma democracia o cidadão tem o direito de discordar desde de que cumpra o que em termos jurídicos é tido como constitucional. A Constituição brasileira garante ao cidadão o direito de se manifestar desde de que seja de forma pacífica e ordeira. É um direito constitucional a liberdade de expressão e opinião.

Antes mesmo do julgamento eu já tinha minha opinião formada. Percorri os mais diversos sites e blogs atrás de opiniões sobre o julgamento do supremo, e para o meu espanto me deparei com vários blogueiros motivados com a imagem da princesa Isabel. O veredito de nossos magistrados de forma instantânea, se tornou uma reedição de lei Áurea, parecia que nós negros havíamos novamente ganho nossa liberdade.

Mesmo discordando, opiniões contrárias tem que ser respeitadas. Mas o que vi nesses blogs é algo que foge do principio básico de qualquer democracia que é o respeito as opiniões.

Dos muitos discursos que li sobre o tema, dois me chamaram atenção. Os dois diziam que as cotas dão início a um processo de auto-afirmação do negro na sociedade. A um olhar desatento e desavisado, esse seria o discurso ideal para um país mestiço, que tem como meta erradicar o preconceito e qualquer discriminação. Seria, se os mesmos que falam sobre auto afirmação do negro não estivessem em um passado não muito distante clamado contra o ex-bbb Daniel pelo suposto estupro no reality show, foi uma caça as bruxas em pleno século XXI, mais uma vez para nossa tristeza ficou provado que por mais tolerante que nossa sociedade se proclame, ao menor sinal de ameaça, o pensamento racista que se imaginava extinto aflora. Mais uma vez o achismo racista destrói um vida.
Em um outro blog governista, o jornalista que se auto-intitula o maior militante branco do país em defesa da causa negra, fez um lindo discurso sobre nossa auto-afirmação que será garantida através das cotas, só que o mesmo está sendo processado por ter chamado um jornalista negro de 'negro de alma branca' pelo fato de o mesmo não compartilhar de suas convicções políticas.
O que seria portanto, a politica de auto-afirmação para eles?

A história nos ensina que projetos e leis imediatistas sempre tendem a prejudicar aqueles que deveriam ser contemplados por elas.
O julgamento das cotas se tornou estratégia de uma batalha por poder, uma guerra entre a elite política e a elite burguesa do nosso país e dentro dessa guerra nós negros e pobres mais uma vez na história estamos sendo usados como bois de piranha. Quando homens detentores de muito poder, brigam entre si por divergirem em favor dos oprimidos, abra seus olhos pois o estrago gerado por essa divergência em um futuro bem próximo será cobrado de você.

Se vivemos em um país mestiço, como determinar raças? Sabemos que o Brasil é o país do futuro, não por suas riquezas naturais mas por sua riqueza humana, pois em nenhum outro lugar no planeta, pessoas de cultura, costumes e religiões diferentes vivem em plena harmonia como no nosso Brasil!
O que nos torna tão iguais são as nossas diferenças e a tolerância nata e quando isso acabar tenha a certeza que não seremos mais como na música do Ben Jor, abençoados por Deus.
Pensando assim, as cotas irão resolver a desigualdade social no Brasil? Certo que não! É um passo importante para amenizar anos de exclusão, desde que não seja usada por uma elite política como a lei áurea da modernidade!
O que não pode, é ser constitucional que meu amigo nascido e criado comigo na mesma favela tenha menos direito que eu de realizar seus sonhos por não ter nascido negro.